Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Pnuma defende papel do Ipcc no debate sobre mudanças climáticas

 

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Diretor executivo da agência da ONU diz que relatório de 2007 do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas apresenta a melhor análise disponível, apesar do erro de digitação na declaração do derretimento glacial do Himalaia.

Foto: Unep

Foto: Unep

Daniela Traldi, da Rádio ONU em Nova York.

O diretor executivo do Programa nas Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, Achim Steiner, defendeu nesta sexta-feira o papel desempenhado pelo Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, Ipcc, na avaliação das alterações do clima no mundo.

Em artigo publicado no site do Pnuma, Steiner cita representantes de mídia e céticos que estariam analisando cada detalhe do Ipcc nas últimas semanas devido a um erro de taxa exagerada sobre o desaparecimento das geleiras do Himalaia.

Brincadeira

Ele ressaltou que alguns estariam inclusive tratando as alterações climáticas como um brincadeira comparada ao chamado 'bug do milênio', na virada do século.

Segundo Achim Steiner o resultado seria confusão pública sobre o questionamento do Ipcc e seu presidente, com proporções parecidas a uma caça às bruxas.

Ele disse que agora é hora para checar a realidade. O diretor executivo do Pnuma afirmou que está certo apontar erros e fazer correções, mas pediu para o mundo colocar de lado o mito de que a ciência da mudança climática é um rombo e está se afundando rapidamente em um mar de mentiras.

Mentes Científicas

Achim Steiner lembrou que, em 22 anos, o Ipcc elaborou estudo baseado nas melhores mentes científicas, especialistas indicados por governos, para avaliar a evolução dos acontecimentos ambientais e seu impacto sobre economias e sociedades.

Steiner enfatizou que o relatório de 2007 do órgão apresenta a melhor avaliação de risco disponível, apesar do erro de digitação na declaração do derretimento glacial do Himalaia. Ele avaliou que o consenso alcançado foi muito alto, com 90% de chance de estar correto.

O diretor executivo do Pnuma ressaltou que o Ipcc pode ter falhas mas continua sendo o melhor e mais sólido fundamento que existe para uma comunidade de mais de 190 nações para as futuras escolhas globais.

publicado por ecotv às 16:54

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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Unesco alerta para perda global de biodiversidade

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Seminário realizado na sede da agência da ONU em Paris apresenta visão geral e promove sensibilização para as taxas alarmantes de perda mundial; conferência faz parte do Ano Internacional da Biodiversidade, celebrado pelas Nações Unidas em 2010.


Foto: Unep

Foto: Unep

Daniela Traldi, da Rádio ONU em Nova York.

 

Termina nesta sexta-feira em Paris uma conferência sobre políticas relacionadas à biodiversidade no mundo.

O evento, promovido pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, reuniu especialistas de vários países para discutir o tema durante uma semana.

Sensibilização

O seminário realizado na sede da Unesco na França faz parte do Ano Internacional da Biodiversidade, celebrado pelas Nações Unidas em 2010.

A superintendente técnica da Fundação Biodiversitas, Gláucia Drummond, única representante brasileira no evento, disse à Rádio ONU, de Paris, que estão sendo discutidas estratégias científicas para subsidiar a formulação de políticas voltadas para a conservação.

"Assim como existe um painel sobre mudanças climáticas a idéia é também formar um painel intergovernamental sobre a evolução da conservação da biodiversidade. A proposta é que esse painel seja formado por especialistas e pessoas com profundo conhecimento e que trabalham em ações efetivas para a conservação em todo o mundo", afirmou.

Participação

Gláucia Drummond afirmou ainda que o Brasil teria participação efetiva nesse painel porque o país é muito diverso e existem várias iniciativas e urgências relacionadas à preservação.

Segundo a Unesco o objetivo da conferência é apresentar visão geral e promover sensibilização para as taxas alarmantes de perda global de biodiversidade.

publicado por ecotv às 13:53

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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

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O apelo é do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola; em muitos países em desenvolvimento, esses trabalhadores são os mais vulneráveis aos impactos da mudança climática.

Ajuda a trabalhadores rurais

Ajuda a trabalhadores rurais

Pollyana de Moraes, da Rádio ONU em Nova York.

 

Os 5 milhões de pequenos trabalhadores rurais de todo o mundo devem ser beneficiados por um novo acordo climático, previsto para ser assinado em dezembro deste ano, durante a Conferência de Copenhague, na Dinamarca.

A afirmação é do diretor da divisão técnica do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Rodney Cooke. Em coletiva de imprensa no começo da semana, Cooke disse que as pequenas propriedades rurais atendem a demanda por alimentos de, pelo menos, 1/3 da população mundial.

Aliados

Segundo ele, os trabalhadores do campo são importantes aliados no combate ao deflorestamento e ao aquecimento global. Mas, para garantir esse apoio, é preciso que eles tenham acesso à água, à terra e a incentivos técnicos que ampliem os cultivos sem agredir o meio-ambiente.

Em muitos países em desenvolvimento, onde a agricultura emprega cerca de 70% dos trabalhadores, os pequenos fazendeiros são os mais vulneráveis aos impactos da mudança climática.

Para essas comunidades, a crise do clima pode resultar em dívidas, em migrações forçadas e na dependência de ajuda humanitária.

A ONU estima que o aquecimento global pode colocar 49 milhões de pessoas sob o risco da fome, se nada for feito para deter o problema.

publicado por ecotv às 11:37

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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Pnuma defende adaptação das leis para uma economia "verde"

 

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Treinamento na sede da agência oferece aos países alternativas legais para o combate aos problemas relacionados ao meio-ambiente em seus territórios.

Foto: Pnuma

Foto: Pnuma

Pollyana de Moraes, da Rádio ONU em Nova York.

Representantes de mais de 60 países estão reunidos nesta quarta-feira, em Nairóbi, no Quênia, para um treinamento que alerta sobre a urgência de adaptação das leis para as novas necessidades ambientais.

 

O encontro, que acontece na sede do Programa das Nações Unidas para o Meio-Ambiente, Pnuma, enfatiza a importância dos mecanismos legais na transição para uma economia global mais "verde".

Desafios Ambientais

O treinamento, já em sua 9ª edição, vai oferecer aos governos alternativas de aplicação das leis para combater os problemas relacionados ao meio-ambiente nos países.

Na pauta do encontro estão casos como o processo de desertificação no Níger, o aumento do nível do mar nas Ilhas Maldivas e o desmatamento no Nepal.

O treinamento do Pnuma acontece uma semana após o lançamento de um relatório do órgão que pede o fortalecimento das leis ambientais internacionais para a proteção dos países em situação de guerra.

O curso em Nairóbi termina na sexta-feira. Entre os dias 7e 18 de dezembro, o assunto será novamente discutido durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que acontece em Copenhague, na Dinamarca.

publicado por ecotv às 19:17

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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Países devem prestar contas sobre mudança climática

 

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Rodada de debates na Espanha segue até sexta-feira como preparação para a Conferência da ONU sobre o tema, que acontece na Dinamarca, entre os dias 7 e 18 de dezembro.

Yvo de Boer

Yvo de Boer

Pollyana de Moraes, da Rádio ONU em Nova York.

A última rodada de negociações antes da Conferência da ONU sobre Mudança Climática começou nesta segunda-feira, em Barcelona, na Espanha.

Mais de 4 mil representantes de 181 países participam do encontro. O objetivo é alertar sobre a urgência da assinatura de um novo acordo sobre o clima, já que o Protocolo de Kyoto expira em 2012.

Aquecimento Global

A Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que organiza os debates, afirma que, para se evitar o avanço do aquecimento global, é preciso reduzir em pelo menos 50% as emissões de carbono do mundo nos próximos 40 anos.

De acordo com o secretário-executivo do órgão, Yvo de Boer, todos os países devem prestar contas sobre o que estão fazendo para deter as consequências da mudança climática em seus territórios.

Na abertura do encontro, De Boer afirmou que as nações mais ricas devem assumir o compromisso de reduzir as emissões de carbono em médio prazo e que as economias emergentes também devem limitar o avanço do problema com o apoio dos países desenvolvidos.

Ele defendeu ainda a criação de uma governança global capaz de gerenciar os recursos necessários para adequação às expectativas ambientais, levando em conta as diferenças econômicas e sociais dos países.

Negociações Prévias

A rodada de Barcelona segue até sexta-feira como preparação para a Conferência da ONU, que acontece em Copenhague, na Dinamarca, entre os dias 7 e 18 de dezembro.

Ao longo de todo o ano, cidades como Bangkok e Nova York sediaram negociações prévias para discutir as expectativas globais sobre o novo pacto climático que deve ser assinado durante a Conferência.

publicado por ecotv às 10:47

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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Buenos Aires abre congresso sobre desenvolvimento florestal

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Preservação de florestas

Preservação de florestas

Pollyana de Moraes, da Rádio ONU em Nova York.*

 

A capital da Argentina, Buenos Aires, sedia até sexta-feira o Congresso Mundial Florestal, promovido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, em parceria com 150 países, entre eles, o Brasil.

Em sua 23º edição, o encontro discutirá temas como bioenergia, combate à mudança climática e uso sustentável dos recursos florestais.

Manutenção do Clima

O tema do Congresso neste ano, "Desenvolvimento Florestal, Equilíbrio Vital" pretende chamar a atenção dos países para a importância das florestas na manutenção do clima e na vida no planeta.

Para o diretor da divisão de ordenação florestal da FAO, José Antonio Prado, as discussões são ainda mais relevantes. Ele lembra que em dois meses, será realizada a Conferência da ONU sobre Mudança Climática, em Copenhague, na Dinamarca.

O professor titular da Universidade de São Paulo, Leonardo Gonçalves, disse à Rádio ONU, de Buenos Aires, que uma das formas de se preservar a floresta é proteger as comunidades que dependem diretamente dela.

Amazônia e Mata Atlântica

"Uma das idéias para diminuir a devastação da floresta é valorizá-la junto aos serviços ambientais prestados pelos nativos e pelas comunidades que vivem na região", afirmou.

Leonardo Gonçalves, que é um dos representantes do Brasil no Congresso, destacou que serão discutidas no encontro alternativas sustentáveis para o aproveitamento dos recursos da Amazônia e da Mata Atlântica.

*Apresentação: Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

publicado por ecotv às 14:30

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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Tecnologias na luta contra mudança climática

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Proposta é debatida em encontro da União Internacional de Telecomunicações, UIT; evento acontece até a próxima sexta-feira, na Suíça.

Telecomunicação e clima

Telecomunicação e clima

Maria Cláudia Santos, da Rádio ONU em Nova York.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, reiterou, nesta segunda-feira, o interesse da Organização em discutir como as novas tecnologias estão criando possibilidades para o enfrentamento de problemas planetários, como as mudanças climáticas.

A declaração foi dada na abertura da "ITU Telecom Mundo 2009", em Genebra, na Suíça.

Debates

O evento, promovido pela União Internacional de Telecomunicações, UIT, debate as tecnologias da informação e comunicação, TIC's.

Na oportunidade, os principais nomes da indústria das telecomunicações e líderes políticos de várias partes do mundo tratam de assuntos ligados ao crescimento do setor em contexto de crise financeira.

Este ano, o fórum discute, ainda, temas globais, como as mudanças climáticas e o enfrentamento de desastres.

No discurso de abertura, o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-monn, destacou que as as tecnologias da informação e comunicação são vitais para o enfrentamento de um dos grandes problemas atuais do planeta, as alterações climáticas.

Soluções Globais

O chefe de assuntos exteriores da União Internacional de Telecomunicações, Luiz Fernando Ferreira, disse à Rádio ONU de Genebra, que o setor, atualmente, tem muito mais condições de contribuir para a solução do problema do que para o seu agravamento.

"Hoje, as emissões de dióxido de carbono na atmosfera, decorrente do uso de tecnologias, são da ordem de 2,5 por cento, isso é baixo.

Em princípio o uso de TIC, principalmente, videoconferência e telefonia móvel, evita deslocamentos e também ajuda as indústrias de telecomunicações a terem um ganho em termos de redução de emissões. A UIT está comprometida com este tema", afirmou.

A "ITU Telecom Mundo 2009" acontece até a próxima sexta-feira, na Suíça.

publicado por ecotv às 17:52

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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Mudança climática supera previsões, diz Ipcc

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Mudanças climáticas

Mudanças climáticas

Pollyana de Moraes, da Rádio ONU em Nova York.*

 

Os danos provocados pela mudança climática podem estar superando as previsões, de acordo com um novo relatório do Painel Internacional sobre Mudança Climática, Ipcc.

O documento divulgado nesta sexta-feira revela que alguns eventos ambientais previstos para acontecer em longo prazo já começaram ou devem ocorrer antes do que se imaginava.

Amazônia

Cientistas envolvidos na pesquisa demonstraram preocupação com as prováveis mudanças bruscas no perfil do clima na Amazônia, no Saara e no oeste da África.

Já o derretimento das camadas de gelo nas regiões polares também parece estar acontecendo com mais rapidez do que o previsto. Na Groelândia, o fenômeno atingiu uma taxa de ocorrência 60% maior do que a esperada para o período em 1998.

Outro dado importante aponta para o crescimento excessivo das emissões de carbono, principalmente nos países desenvolvidos. O total dessas emissões cresceu 3,5% ao ano, de 2000 a 2007, quase três vezes mais do que o período entre 1990 e 1999.

Urgência

O documento pediu ainda urgência na assinatura de um novo acordo climático para substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Um novo pacto entre os países está previsto para ser assinado em dezembro, durante a Conferência de Copenhague, na Dinamarca.

Apresentação Eduardo Costa, da Rádio ONU em Nova York.

publicado por ecotv às 13:35

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Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Simpósio debate clima nas cidades

Participantes do encontro acreditam que quanto maior o número de habitantes de uma cidade, aumentam as emissões dos gases que provocam o efeito estufa.
Impacto das emissões de gases

O papel das cidades para diminuir a emissão dos gases causadores do efeito estufa é um dos assuntos discutidos nesta semana no Simpósio de Pesquisa Urbana, organizado pelo Banco Mundial em parceria com várias agências da ONU na cidade de Marselha, sul da França.

Leia o boletim de Marcelo Torres, da Rádio ONU em Londres.


Efeito Estufa

"As cidades crescem e com elas também os desafios. Muitos participantes do simpósio acreditam que quanto maior o número de habitantes de uma cidade, mais pressão haverá para produzir energia e, com isso, aumentar as emissões dos gases que provocam o efeito estufa.

Mas os cientistas e técnicos que viajaram a Marselha também analisam durante o encontro o impacto que as mudanças climáticas vão causar na vida dos cidadãos de vários países.

Cecília Kinuthia-Njenga, do Programa de Assentamentos Humanos das Nações Unidas, vai explicar como a migração de moradores de regiões do interior do Quênia mudou a cara da capital Nairóbi.

Bacias Hidrográficas

A pesquisadora Rosa Maria Formiga-Johnsson, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, fala dos desafios de se cuidar das bacias hidrográficas que garantem o abastecimento das cidades brasileiras."

Os organizadores esperam que as experiências bem-sucedidas de algumas cidades inspirem outras a seguir o mesmo caminho. O simpósio termina nesta terça-feira, mas outros eventos paralelos serão realizados até a quinta.

Ouça AQUI na RádioECO a Rádio ONU

Simpósio debate musanças climáticas nas cidades 0906301i.mp3 - Marco Alfaro, da Rádio ONU em Nova York

publicado por ecotv às 15:04

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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Magrelas, gratuitas e eficientes

Felipe Lobo

Bicicletas são oferecidas em pontos de maior circulação dentro do campus.
(Foto: Isabela Lyrio / UnB Agência)

Para atravessar a pé de um extremo ao outro do campus do Plano Piloto na Universidade de Brasília (UnB) são necessários de trinta a quarenta minutos. Um tempo considerável para quem precisa se locomover pelos vários prédios da instituição de ensino no intervalo entre as aulas, na maioria das vezes com tempo escasso.

Com isto em mente, um grupo de estudantes e amigos decidiu criar o projeto Bicicleta Livre, que desde a última segunda (22) disponibiliza bicicletas para locomoção gratuita dentro do campus. A ideia é mostrar que as magrelas podem servir como um meio de transporte para as ruas da capital federal.

O projeto começou no segundo semestre de 2007, quando um aluno de Saúde e Qualidade de Vida da faculdade de Educação Física da propôs a ideia como trabalho final. Logo depois, o atual coordenador do projeto, Yuriê Baptista, ajudou a colocar a iniciativa em prática. Desde então, a empreitada começou a ganhar corpo, e cada vez mais adeptos. Primeiro com a formação de um curso de extensão e, depois, com a incorporação pelo Plano de Circulação capitaneado por professores da universidade.

“O plano tinha a intenção de colocar uma ciclovia dentro do campus. Ainda não houve a licitação para isso, mas deve ocorrer em breve. De toda forma, os professores já haviam pensado em disponibilizar bicicletas públicas. Mostramos nosso projeto e eles o abraçaram”, explica Yuriê, estudante de Geografia. Durante os últimos quase dois anos, o grupo hoje formado por cerca de vinte pessoas teve reuniões frequentes com a reitoria da universidade e começou a buscar bikes usadas para montar a frota.

O rumo do projeto começou a mudar a partir do final de 2008, quando começaram as conversas com a entidade sem fins lucrativos Rodas da Paz. A cada ano, ela realiza um evento chamado TransTrenó, cujo objetivo é arrecadar bicicletas, consertá-las e doá-las. Ao todo, o Bicicleta Livre recebeu sessenta magrelas bastante antigas ou mal cuidadas de tamanho adulto e outras setenta pequenas. Estas últimas serão entregues a comunidades carentes, depois de revitalizadas.

Mutirões para reforma

Mão na massa: alunos e colaboradores reformam bicicletas no fim de semana. (Foto: Divulgação)
Durante o primeiro semestre deste ano, sempre aos sábados, a equipe do projeto se reuniu em uma sala do departamento de Educação Física da UnB para desmontar, lixar, pintar e remontar as bicicletas. Qualquer um disposto a entrar na oficina e colocar as mãos na massa foi aceito pelo grupo.

O resultado deste esforço foram dezoito bicicletas em perfeitas condições de uso, bem pintadas de amarelo. Há menos de uma semana elas foram colocadas no campus do Plano Piloto, em Brasília, dispostas em três estacionamentos construídos especialmente para o projeto nos pontos mais movimentados.

“Esses são apenas os locais prioritários de devolução, para facilitar o controle e a manutenção. As pessoas podem pegar a bicicleta em qualquer ponto, usar e depois deixar para que outro a assuma. O que pedimos é para que elas sejam utilizadas o mínimo de tempo possível. Assim, há maior rotatividade”, explica Baptista.

Mas o projeto não para aí. As oficinas aos sábados continuam, já que as outras bicicletas recolhidas estão em péssimo estado e precisam de muitas peças novas para ser reaproveitadas. Comprar magrelas recém-saídas da fábrica não passa pela cabeça da equipe, como explica Janayde Gonçalves, jornalista e voluntária no projeto. “Não queremos porque a proposta é ecológica, mostrar que é possível reciclar e reutilizar. Eu, quando cheguei, não sabia nada de mecânica. Hoje consigo consertar uma bicicleta. Basta ter disposição”, avalia.

Janayde diz que Brasília é uma cidade plana e proporciona o uso de veículos não motorizados. Yuriê concorda e complementa com a meta do projeto: ter cerca de cem bicicletas rodando no campus da UnB até o fim do ano. Apesar de não possuir um estudo sobre o corte nas emissões de gases estufa, a equipe acredita que poderá ter um reflexo positivo no micro-clima local, já que o objetivo maior é levar as magrelas para as ruas da capital brasileira.

Malha cicloviária

Para que a meta seja alcançada e cada vez mais pessoas saiam de suas casas pedalando, é preciso que a estrutura de ciclovias da região, hoje com cerca de 40 quilômetros de faixas, seja refeita e ampliada. E há esforços neste sentido. Em 2005, o Departamento de Estado de Rodagens do Distrito Federal (DER/DF) desenvolveu projetos em algumas das vinte e oito regiões administrativas do centro do poder nacional. Uma empresa de Brasília foi chamada para elaborá-los com a ajuda de Antônio Miranda, presidente da União dos Ciclistas do Brasil (UCB).

“Acabamos fazendo um plano global para o Distrito Federal e estimamos o volume de circulação de bicicletas por lá. Além disso, traçamos um perfil da demanda e das necessidades de cada lugar a partir de manuais de montagem de ciclovias”, afirma. Três anos depois, houve licitações para contratar a instalação de 360 quilômetros de novas ciclovias em todo o Distrito Federal. Três empresas venceram e Miranda foi novamente convocado a ajudar.

“Quando iniciamos a formulação dos projetos contratados pela NovaCap - Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil, detectamos demandas em algumas cidades-satélite. Por isso, o número subiu para 440 quilômetros”, conta. O raio-x das necessidades foi completo, com análises de drenagem, pavimentação, paisagismo e levantamento topográfico. Ao mesmo tempo em que o trabalho corria, o DER/DF licitou a construção de outros 80 quilômetros de ciclovias em margens de rodovias. Junto com as “ciclofaixas” previstas para acostamentos no bairro Lago Sul, chega-se a de 600 quilômetros de vias destinadas exclusivamente às bicicletas.

Por enquanto nenhum resultado concreto foi registrado, mas algumas obras estão andando. “O objetivo é que, em março ou abril de 2010, já tenham sido construídos 200 quilômetros de ciclovias”, espera Miranda. Ele afirma, porém, que no curto prazo nenhuma cidade do Distrito federal deve superar o Rio de Janeiro e seus 150 quilômetros de ciclovias.

Quando as obras estiverem concluídas, no entanto, a população deverá ter bicicletas para usá-las. De acordo com Ronaldo Alves, presidente da Rodas da Paz, houve um esforço para aumentar o número de veículos com duas rodas nas cidades brasileiras. A empresa pernambucana Interset criou um projeto, no início do ano, para que o governo subsidiasse a venda de bikes no país. “A ideia era reduzir os impostos associados em tipos de bicicletas mais populares”, diz.

Caso tudo corresse conforme o planejado, desde o último mês de março as pessoas poderiam pagar dez reais de entrada e receber um modelo zero dentro de casa em quinze dias. Depois, haveria mais trinta meses para pagar o restante, sempre no mesmo valor da primeira parcela. Fontes do governo federal consultadas por O Eco desconhecem a iniciativa.

Com ou sem ciclovias, o Código Nacional de Trânsito informa que todas as vias públicas devem ser compartilhadas e que os automóveis devem manter distância de um metro e meio para o meio-fio, justamente para dar passagem às bicicletas. Quem se arrisca?

Atalhos:
Projeto Bicicleta Livre
Rodas da Paz

Saiba mais:
Pedestres agradecem planejamento urbano
Desprezo paulistano pelas bicicletas
Mobilidade sustentável à espanhola
Bicicleta como alternativa de transporte
Proposta boa, preço salgado
A poluição das bicicletas
Pedaladas em debate

publicado por ecotv às 15:08

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